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Totem do Morcego

Atualizado: 21 de ago. de 2021




Para as culturas Astecas, Maia, Tolteca e Toluca, o Morcego é o símbolo do renascimento, pois assim como os budistas acreditam na reencarnação, os índios da América Central também creem que estamos sempre renascendo.


O Morcego sintetiza o conceito da morte xamanística, o ritual no qual o xamã sofre uma morte simbólica que o transporta para uma dimensão superior do conhecimento, na qual ele aprende os segredos dos rituais de cura. Esta morte simbólica assinala o rompimento do xamã com sua antiga personalidade profana, constituindo uma etapa obrigatória anterior à sua iniciação propriamente dita, que irá lhe conceder o direito de curar e de ser chamado de xamã. A maioria desses rituais é bastante violenta, tanto para o corpo quanto para a mente e o espírito, de forma a descartar os candidatos sem condições reais de tornarem-se xamãs. Aliás, pelos padrões atuais , dificilmente seria possível encontrar alguém disposto a sofrer as duras provas do ritual de iniciação e sair dele com juízo perfeito.


Esse ritual assemelha-se muito com a noite do medo praticada pelos índios da ilha da Tartaruga. Nele, o candidato a xamã era enviado a algum local ermo, onde deveria cavar a sua própria sepultura, dentro da qual deveria passar a noite toda no ventre da Mãe Terra totalmente só, com a cova protegida apenas por um cobertor. A escuridão total e os ruídos provocados pelos animais caçando rapidamente confrontavam o iniciado com seus próprios medos.


Assim como a escuridão da tumba tem a sua razão de ser neste ritual, também a caverna do Morcego tem um significado profundo. Pendurar-se de cabeça pra baixo é uma metáfora para eliminação do seu antigo ego, propiciadora do renascimento como um novo ser, evocando a posição adotada pelos bebês no momento de deixarem a proteção do ventre materno, emergindo para uma nova vida no mundo exterior.


Se o Morcego apareceu em seu totem, isto indica a necessidade de algum tipo de morte ritualística, envolvendo o abandono de um padrão de comportamento que não corresponde mais ao seu nível de evolução espiritual. Isto pode implicar abandono de velhos hábitos comportamentais e assumir novas responsabilidades ou uma nova função de vida, que o preparam para um renascimento ou, em casos mais raros, até mesmo um processo iniciático. Seja como for, o Morcego sempre assinala a morte de uma parcela de seu ser e o renascimento de outras partes de si mesmo. Se você resistir a esse processo, esta poderá ser uma longa, lenta e dolorosa morte, mas, se não oferecer resistência ao seu próprio destino, o processo será ser menos penoso. O Universo está sempre lhe pedindo para crescer e assumir seu futuro, mas para ser capaz de fazê-lo é preciso que você enfrente a morte xamanística.


Se você tem o Morcego em desequilíbrio em seu totem, você está confrontando com sua energia inversa proporcionando à estagnação do espírito e a recusa em aceitar o próprio destino.


Abandone o beco sem saída no qual você se encontra, refugiando de medos e obstáculos que existem apenas em sua imaginação. Use sua coragem, sua força e sua determinação para facilitar esse renascimento capaz de proporcionar seu crescimento antes que todos os sonhos murchem e apodreçam dentro de você. Toda decisão, e até mesmo todo pensamento, colaboram para criar um estado de estagnação ou de renascimento.


Texto baseado no livro Cartas Xamânicas de Jamie Sams & David Carson.



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